Palestra — 01 Jan
Por Que Escolher o Kanitz

Palestrantes.org. O que diferencia você dos demais palestrantes?

Kanitz. Hoje temos mais de 500 palestrantes, todos com suas especialidades. A minha é grandes públicos entre 500 a 1.000 pessoas, que exige muita experiência e habilidade. São as palestras mais difíceis porque exigem total domínio da plateia, e isto só vem com experiência. Minha primeira palestra para 1.000 pessoas foi aos 16 anos, quando eu era aluno bolsista, mas mesmo hoje elas dão um frio na barriga.

Palestrantes.org. E qual o segredo para falar para 1.000 pessoas?

Kanitz. São várias. Primeiro a palestra precisa ser inovadora, prender a atenção a cada minuto, senão o grupo se dispersa. Por isto eu não dou entrevista para a imprensa, porque não é justo trazer pessoas do Brasil inteiro, para ouvir alguém que acabou de dizer a mesma coisa no Rádio ou na Televisão. A segunda preocupação é não falar sobre o que está acontecendo na semana, que todos irão esquecer um dia depois. Me preocupo em dar conteúdo que será válido por alguns anos pelo menos.

Palestrantes. org. Por exemplo?

Kanitz. De 1992 a 1996 eu dizia que o futuro seria produtos populares, para as camadas de baixa renda, as Classes C e D.  Hoje, muitos empresários me esperam no aeroporto, e dizem com orgulho que aquele Mercedes era graças a mim, e que a empresa deles estavam de vento em popa. Ter mostrado este mercado para eles há 14 anos, foi o que faltava. Provavelmente todos tinham a mesma ideia, mas estavam na dúvida. E ter um palestrante de nome, afirmando com plena convicção este caminho, era o empurrãozinho que precisavam.

Palestrantes.org. E hoje, o que você está prevendo?

Kanitz. Assista minha palestra. Mas eu sempre digo que um bom palestrante conta o seu próximo livro, e testa as suas ideias pela primeira vez. Eu fico muito triste quando vejo a HSM trazer palestrantes estrangeiros que vêm falar de um livro famoso que escreveram, geralmente o primeiro, porque acham que nós brasileiros estamos ainda na idade da pedra.

Palestrantes.org. Quantas palestras o Sr. realiza por ano?

Kanitz. O plano é dar somente 10 palestras por ano, mas a pressão da torcida acaba me obrigando a dar 15 até 20. Especialmente quando são em São Paulo, é difícil recusar. Mas eu prefiro dar poucas palestras, concorridas e comentadas do que ficar fora de casa metade do tempo. A fila de espera normalmente é de 6 meses a um ano.

Palestrantes.org. E qual o maior prazer de um palestrante?

Kanitz. Primeiro devo frisar que sou contra palestrantes profissionais.  Quando sua vida depende de palestras você corre o risco de dizer somente o que a plateia quer ouvir, e não o que precisa ser dito. Eu dou palestras justamente pelo prazer da palestra, e o sonho de todo palestrante é uma salva de palmas em pé. Isto é a glória, que normalmente consigo 30% das vezes. Prêmio de consolação é uma ou duas palmas no meio da palestra.

Palestrantes.org. Qual foi a sua melhor palestra?

Kanitz. Foram duas. Uma em Taubaté, onde tive uma salva de palmas em pé no meio da palestra. Não sei exatamente o que eu disse, uma pena, mas o pessoal se empolgou e levantou, e gostaria de ter lembrado para repetir a dose. A segunda foi para a Unimed em Londrina, 300 médicos muito inteligentes, e acabou sendo uma farsa de tantas piadas que saíam espontaneamente.

Palestrantes.org. Piadas são importantes numa palestra?

Kanitz. No Brasil é essencial, mas é perigoso. Sair contanto piadas fora de propósito é sempre arriscado e nunca faço. O segredo é saber contar coisas engraçadas no contexto do assunto, normalmente são “one liners” muito apropriadas.

Palestrantes.org. Nos dê um exemplo.

Kanitz. Quando eu mostro que todos os países do mundo têm seus problemas, e achar que o Brasil é o único que tem problemas, eu conto que a Índia terá uma população absurda de 514 habitantes por k2. Uma informação técnica. Mas quando acrescento, “Todos de pé”, a plateia cai na risada, e nunca mais vai esquecer deste problema da Índia.

Palestrantes.org. Não existe o perigo da palestra ser muito técnica?

Kanitz. Existe sim esta discussão, de que plateias não querem números somente slides lindos e emotivos. Minha postura é dizer no início que vou mostrar inúmeros dados positivos, mas que nada é minha opinião. Isto dá muito mais credibilidade ao que pretendo comunicar.

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Stephen Kanitz

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