Existem centenas de teorias políticas escritas pelos
mais variados cientistas políticos que têm defendido
a tomada do poder por um grupo de pessoas inteligentes, éticas
e compromissadas
com o bem comum.
A lista de teorias é longa, desde o filósofo Rei
de Platão, até os Socialistas Fabianos, os Sociais
Democratas com sua elite de tecnocratas, até os escritos
de Gramsci e seus intelectuais orgânicos e engajados.
Serra no seu primeiro discurso de campanha em 2002 disse que
havia escolhido as 100 melhores cabeças do país
para montar um programa de governo, perdeu o voto de mais
2 milhões de eleitores da classe média que também
acham que sabem pensar.
No mundo moderno de hoje, felizmente ou infelizmente, precisamos
de muito mais do que uma elite de 100 ou 1.000 pessoas para
mudar um país. Hoje, para um país dar certo é
necessária a participação de milhões
de cidadãos atuantes, que se distinguem dos demais pela
suas pequenas lideranças, pelas suas pequenas iniciativas,
nas suas pequenas comunidades e pequenas empresas.
São normalmente aqueles que mostram o caminho não
pelas suas ideias, mas pelos seus exemplos. Exemplos
de sucesso, disciplina, persistência e determinação.
São aqueles que chamamos de classe média, os gerentes,
os supervisores, os administradores, os pequenos e médios
empresários, os juízes, os advogados, os médicos,
os funcionários públicos, os profissionais liberais
e os professores universitários.
É a classe média que gera emprego, que cria valor,
razão pela qual é sempre mais tributada pela classe
dominante. Normalmente, a classe média representa 10%
da população, e se incentivarmos cada membro da
classe média a criar 10 empregos, teremos pela primeira
vez no Brasil o pleno emprego.
Poderia a classe média gerar empresas e nove empregos por cada
membro? Na realidade é o que já fazem, a maioria
das pequenas e médias empresas, são abertas por
pessoas da classe média, ou por ex-funcionários
que aprenderam com alguém da classe média. Em
Bento Gonçalves uma das melhores cidades para se viver
no Brasil, existe uma empresa para cada 10 habitantes da cidade.
Se um incentivar cada empresa média a contratar 12 funcionários
em vez de 10, sabem o que iria acontecer? Os salários
não parariam de subir, porque não daria para contratar
120% da população. Cada pequeno empresário
teria de tentar roubar o funcionário do outro, oferecendo
um salário maior. Que beleza!
Não são os intelectuais e os professores nas faculdades
que ensinam os segredos do sucesso na vida. Quem ensina é
a classe média, aos seus 10 a 50 funcionários,
muitos dos quais acabam montando negócios concorrentes.
Pobre não aprende de rico nem de intelectual. Pobre emula
a classe mais próxima, a classe média, aquela
que ainda lembra como era ser pobre, e conseguiu sair dela criando
valor.
Só que no Brasil ninguém defende a classe média,
muito menos seus valores e sua postura política. Os ricos
são naturalmente de direita, são conservadores,
querem manter o status quo. A classe média não
é de direita nem de esquerda. É de centro e liberal.
São os profissionais liberais por excelência, que
acreditam na autonomia, na responsabilidade pessoal e social,
na poupança para a velhice, nos valores familiares, no
imposto sobre herança. Mas o liberalismo é a ideologia
mais atacada no Brasil, pela direita e pela esquerda. A direita
vê na classe média uma ameaça, a esquerda
vê nela a burguesia a ser destruída.
Que eu saiba, nenhum jornal brasileiro defende a ideologia da
classe média, justamente seus leitores. Não há
um jornal liberal, que defenda os valores típicos da
classe média. Por isto, a classe média está deixando de renovar suas assinaturas de jornais e revistas,
onde o editorial normalmente defende os valores da direita,
o resto do jornal defende os valores da esquerda.
A circulação de jornais e revistas tem caído
quase 20% nestes últimos anos, justamente porque a classe
média cansou de comprar jornais que não defendem
os seus pontos de vista, somente os daqueles que querem a sua
destruição.
O primeiro jornal diário a ser criado por pessoas de
classe média, que defendam os valores da classe média,
terá todos os anúncios e circulação
que desejar, sem precisar de anúncios do governo, empréstimos
do BNDES, nem viver na corda bamba, fazendo editoriais para
não criticar demais o governo.